Casais gay vão «contar» como família

As uniões de casais homossexuais vão ser equiparadas a núcleos
familiares para efeitos de estatística nos próximos Censos de 2011,
disse à Lusa fonte do Instituto Nacional de Estatística.
Esta é uma das novidades do próximo recenseamento geral da população
que pretende ir ao encontro das recomendações internacionais.

 De acordo com o INE, o conteúdo previsto para os Censos 2011 comporta
um conjunto de alterações face aos Censos 2001, que visa sobretudo
garantir a pertinência e a qualidade da informação recolhida e
responder às novas exigências do regulamento comunitário.

 Algumas destas alterações decorrem da tentativa de adaptação às
transformações da sociedade. Nos próximos censos, as variáveis estado
civil legal e união de facto serão observadas de forma independente,
sendo o conceito de união de facto alargado às uniões consensuais de
casais do mesmo sexo.

 Casamento gay: PS frisa separação entre religião e política

 Em termos de conteúdo, adianta o instituto, há um conjunto de novas
variáveis, como por exemplo as relativas à caracterização dos
movimentos migratórios (residência anterior no estrangeiro, ano de
chegada a Portugal, país de proveniência), ou à caracterização dos
alojamentos (ar condicionado, principal fonte de energia para
aquecimento, área útil, lugar de estacionamento).

 Outra das alterações em termos de conteúdo é a autonomização da
população sem-abrigo, que, embora já recenseada em Censos anteriores,
a sua individualização não era possível, pois estava inserida numa
categoria residual juntamente com outras situações.

 Para os Censos 2011, há ainda uma forte aposta na reformulação dos
processos de recolha de dados, nomeadamente a possibilidade da
resposta aos censos através da Internet.

«Radicais querem casamento gay para mostrarem que são de esquerda»

O ex-Presidente da República, Mário Soares, afirmou, esta
quinta-feira, que os casamentos entre homossexuais são uma questão de
consciência, ao mesmo tempo que advertiu que não são esses os
problemas fundamentais do país.

 «Os casamentos entre homossexuais são questões de consciência
complicadas, não são esses os problemas fundamentais... mas há certos
radicais que querem ir adiante para mostrarem que são de esquerda»,
disse Mário Soares.

 «Se estivesse na minha mão, agiria com mais prudência para acabar com
as desigualdades sociais, dar mais prestígio ao trabalho, aos
trabalhadores e aos sindicatos», sustentou.

 Mário Soares respondia a uma questão colocada por um elemento da
assistência após ter proferido uma palestra sobre a separação entre a
Igreja e Estado desde a I República até à actualidade.

 O jantar/debate realizou-se na Foz do Arelho, Caldas da Rainha nas
instalações do INATEL, presidido por Vítor Ramalho, e onde
participaram mais de uma centena de pessoas entre os quais os
secretários de Estado José Miguel Medeiros e Conde Rodrigues e vários
deputados socialistas.

 Ainda respondendo a questões da audiência e relativamente às
declarações do cardeal Patriarca sobre casamentos de católicas com
muçulmanos Soares disse apenas: «Casamentos são uma questão individual
e as senhoras casam com quem querem. Estar a dar conselhos, comigo
não!»

 PS e JS discordam

 O porta voz do PS, Vitalino Canas, considera que mesmo não sendo uma
questão prioritária, os socialistas não podiam adiar por mais tempo a
discussão sobre o casamento homossexual.

 «O problema tem que ser resolvido e portanto está inscrito como uma
das nossas questões a resolver na próxima legislatura, mas isso não
exclui que a atenção principal seja atribuída às questões da igualdade
dos cidadãos mais pobres ou desfavorecidos, da economia, do
desenvolvimento ou dos nossos problemas estruturais», adiantou o
porta-voz socialista à TSF.

 Entretanto, o líder da Juventude Socialista (JS), Duarte Cordeiro,
adiantou que este é um tema fundamental de toda a esquerda e não
apenas de radicais.

 «Em relação a esta matéria na minha opinião e dos jovens socialistas,
está enganado é uma questão fundamental da esquerda e não acho que
seja radicalismo, porque estamos a falar de direitos fundamentais, de
aspectos que nada têm a ver com aqueles que o doutor Soares referiu,
porque a economia não pára, podemos fazer tudo o que o doutor Soares
disse e fazer isto na mesma», frisou